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Autoria Ana Carolina Luchiari

Água doce Ambientes Zonação Classificações Como citar

Água doce

De toda a água do nosso planeta, apenas 3% é considerada água doce, ou seja, água com salinidade entre 0,01 a 0,5 ppm (menos de 1% da água do mar). Nossa água doce pode ser encontrada nas geleiras e camadas de gelo nos pólos (2/3) ou de forma livre (1/3), que corresponde a água encontrada no subsolo e na superfície. A pequena parte que corresponde à água da superfície ainda é dividida entre lagos (87%), pântanos (11%) e rios (2%).

Mesmo sendo parte bastante reduzida da água disponível, a água doce representa uma área de grande interesse biológico devido à alta produtividade primaria, incrível variabilidade química e física, alta capacidade de reciclagem de minerais e nutrientes, área de antiga atividade humana e, mais recentemente, área foco de trabalhos de conservação ambiental.

De modo generalizado, para estudos da água doce podemos dividir o ambiente em lótico, que são ambientes de água corrente como rios, riachos e cachoeiras, e ambiente lêntico, que se caracterizam por águas mais calmas como lagos, lagoas e charcos.

O ambiente lótico pode apresentar-se perene, mantendo suas características ao longo das estações do ano sempre similares, como os reservatórios que não sofrem grandes inundações. Ou podemos observar o ambiente lótico intermitente, em que há alteração pronunciada de profundidade, ações de chuvas e erosão e modificações topográficas.

No ambiente lótico observamos também a zonação horizontal, que significa a variação de espécies animais e vegetais ao longo do trecho do rio. Na nascente, ou zona de cascata, encontramos maior forca da água, que cria certa correnteza, com temperaturas mais baixas, alta concentração de oxigênio e substrato formado por cascalho mais grosso. Nestas regiões há principalmente briófitas e espécies de peixes variam entre predadores e migradores que buscam ambiente reprodutivo adequado. Conforme acompanhamos a descida do rio, o aspecto físico, químico e biológico muda em um continuo, até a zona de estuário, onde a correnteza é baixa, a temperatura da água se eleva, o oxigênio dissolvido diminui e o substrato é caracterizado pela presença de grãos finos de areia.

Além deste tipo de modificação ao longo do trecho do rio, podemos também notar a zonação vertical, que inclui a sucessão de altitude com alta variabilidade de microclima, vegetação, volume de água, turbidez, pH, nutrientes, espécies animais e etc. Já no ambiente lêntico, o volume de água é mais restrito e podemos considerá-los como "ilhas ecológicas". Em lagos, lagoas e charcos não encontramos zonação, porém há estratificação. A biologia dos lagos é principalmente determinada pela profundidade, pelo clima e pela disponibilidade de nutrientes.

A profundidade permite a classificação do ambiente lêntico em área pelágica, com grande variação térmica, nutricional e de oxigênio disponível, e área profunda, mais uniforme. A mistura entre as regiões pode ocorrer devido aos ventos ou à alteração térmica sazonal (clima), e pode ser monomictica (ocorre apenas 1 vez ao ano; clima temperado), dimictica (em lagos continentais com inversão da estratificação), amictica (lagos de altitude sempre cobertos por gelo) e polimictica (lagos de floresta tropical sem mistura).

Em termos nutricionais, os lagos são classificados em oligotróficos, eutróficos e mesotróficos. Lagos oligotróficos possuem poucos nutrientes, são geralmente profundos e claros, com baixa condutividade iônica e pouca macroalga. Geralmente são lagos de formação glacial ou formação em cama de rochas e granito. Lagos eutróficos são mais rasos e sem estratificação, há excesso de nutrientes, muito fitoplâncton e macroalgas que favorecem a alta biomassa animal, porém de baixa diversidade.

Quatro tipos de lagos devem ser considerados: 1. os grandes lagos tropicais em planícies, com estratificação permanente, muito nutriente no substrato e alta diversidade de peixes; 2. os lagos tropicais montanhosos, nos quais a estratificação muda diariamente (polimicticos) e podemos encontrar alta produtividade de peixes; 3. os lagos de crateras, que têm base vulcânica, pouca mistura e alta concentração de elementos químicos como H2S; e 4. os aqüíferos e lagos subterrâneos, que possuem água muito mineralizada e pouca luminosidade.

As lagoas são menores que os lagos, são mais rasas e há mistura convectiva mais do que causada por ventos. O tamanho facilita a eutrofização e perda de oxigênio. Já os charcos são áreas de baixa correnteza, pouca estratificação e com povoação de plantas especialistas. Podemos exemplificar essas áreas com alagadiços onde são encontrados junco e salgueiros, brejos, turfeiras e encharcados de arrozal. Os charcos são bastante importantes para aves migratórias, para a desova de peixes e reprodução de insetos, e para a alimentação de tartarugas, crocodilos e algumas espécies de mamíferos (boto, capivara, anta).

A biota da água doce conta principalmente com os invertebrados que dominam o bentos e peixes que dominam a coluna d'água.

Muitos encontrados Moderadamente Presente Ausente
Algas
Algas verdes Outras algas
Plantas
Angiospermas Briófitas Coníferas
Animais
Crustáceos
Rotíferas
Nemátodas
Oligoquetas
Gastrópodes
Insetos
Teleósteos
Platelmintes
Briozoários
Bivalves
Tardigrados
Peixes
Cartilaginosos
Anfíbios
Répteis
Aves
Mamíferos
Equinodermos
Cefalópodes

Ana Carolina Luchiari

Depto de Fisiologia – Centro de Biociências – UFRN

Como citar este texto:

Luchiari, AC. 2011. Texto publicado no site do Grupo de Estudos de Ecologia e Fisiologia de Animais Aquáticos (www.geefaa.com).