• Ecologia Aquática

Ecologia Aquática

A ecologia pode ser definida como 'o estudo científico da distribuição e abundância dos organismos e das interações que determinam a distribuição e abundância' (Haeckel, 1869). O estudo ecológico leva em consideração, além de interações entre organismos, também, a transformação e o fluxo de energia e matéria (Likens, 1992). Esses fatores são utilizados para estudos ecológicos sobre populações, comunidades e ecossistemas, que são de extrema importância para compreensão da dinâmica da espécie, como está distribuída e o motivo da distribuição. Para tentar compreender a ecologia, estudos são realizados quanto ao ecossistema, comunidades e populações.

O estudo de ecossistemas trata do fluxo e troca de energias que acontecem na relação entre o espaço e os indivíduos das espécies. Essas trocas podem ocorrer por diversos fatores, como variáveis ambientais (por exemplo, matéria orgânica e nitrato), e é essencial, para o ambiente e para a vida dos organismos, que esses fluxos ocorram. Cientistas tentam compreender o motivo e a forma como ocorrem essas relações, para explicar outras características que possam estar presentes nas comunidades e nas populações locais. Na ecologia aquática, animais bentônicos sofrem influências diretas das variáveis ambientais para sua existência, e outros animais, nectônicos, podem sofrer influências indiretas que afetem a sobrevivência e reprodução, no espaço.

As características bióticas e abióticas presentes em um local, como variáveis ambientais, biogeografia e interações, como competição e predação, podem variar a distribuição e diversidade das formas de vida num ambiente. Para estudar esses padrões é necessária a obtenção de dados sobre abundância e riqueza das espécies presentes na comunidade local, e características próprias das espécies, que podem ser obtidos por outros estudo anteriores.

Todos os indivíduos necessitam de recursos mínimos à sobrevivência, o intervalo de limite desses recursos para a vida de uma espécie é chamado de nicho ecológico, e pode apresentar n-dimensões. As características fisiológicas de uma espécie é a principal responsável pela existência, da mesma, num ambiente, pois determinam até onde a espécie pode tolerar as pressões do ambiente, como recursos e interações dispostos no mesmo. A fisiologia, através da evolução, gera caracteres morfológicos próprios para cada espécie, esses caracteres, morfológicos e fisiológicos, quando somados determinam comportamentos únicos para alguns grupos (espécies, gêneros, famílias, etc).

O comportamento pode alterar algumas necessidades da espécie, como alimentação e escolha por habitat e/ou machos, num espaço ou tempo, que são de extrema importância para a sobrevivência e reprodução, e gera diversos estudos para compreensão das características da espécie. Outros estudos tentam compreender a ocorrência de processos químicos, como por exemplo, a injeção de álcool no organismo podendo alterar o comportamento do indivíduo, seja alimentar, reprodutivo ou mesmo o fitness, no geral.

Para a ecologia aquática fatores como profundidade, temperatura da água, disponibilidade de matéria orgânica, fósforo, nitrato, entre outros, na água podem alterar a distribuição, abundância e riqueza das espécies numa comunidade. O estudo de comunidades considera a disponibilidade de fatores biótico e abióticos para a existência das espécies no local. Dos fatores abióticos são consideradas as variáveis ambientais que estão dispostas no ambiente, assim como os limites e tolerância dos indivíduos para a ocorrência das espécies. Para compreender a estrutura de uma comunidade é necessário que sejam consideradas as interações, fatores bióticos, que possam estar influenciando na riqueza e abundância local, como interações intra e inter-específicas, competição e predação. Essas relações podem alterar a estrutura de uma comunidade, gerando, um ou mais, competidores superiores, que podem aumentar ou diminuir a diversidade, assim como a abundância, das demais espécies.

As comunidades são importantes para controlar o fluxo de energia de um ecossistema, e os recursos do ecossistema são responsáveis pela distribuição e estrutura da comunidade. A competição por um nicho e a predação podem extinguir espécies, e atualmente é possível saber a raridade de uma espécie através de três características, tolerância, abundância da espécie e distribuição da população.

Uma população pode estar distribuída de forma aleatória, homogênea ou agregada. A forma como a distribuição ocorre é decorrente de caracteres próprios da espécie e/ou do ambiente. O tamanho populacional da espécie é importante para obtenção de dados demográficos, dinâmica, conservação e monitoramento, por exemplo, de espécies invasoras, em um ambiente.

O estudo populacional observa, a partir de processos básicos, como natalidade, mortalidade, capacidade de sobrevivência, e outros, como emigração e imigração, quais os fatores, recorrentes e não recorrentes, que possam causar o movimento da população. Então, para realizar o estudo é necessária a obtenção de dados quanto à distribuição dos indivíduos, composição genética, taxas demográficas e estrutura espacial.

Para compreender a dinâmica de uma espécie, estudos de populações sugerem que sejam calculadas taxas de proporções sexuais, em escalas de tempo ou espaço; tamanho dos indivíduos (classes) adultos, jovens (machos, fêmeas e inter-sexo, se existir), e fêmeas adultas em reprodução, como por exemplo, fêmeas ovígeras; abundância (%) e número de indivíduos dos diferentes grupos de maturidade sexual; além de taxas de reprodução e recrutamento da espécie.

A partir de dados como esses é possível tentar compreender o que move uma população e o motivo. Dados de populações, como emigração e imigração, são de importância para estrutura de comunidades, pois podem variar a abundância, riqueza e diversidade. As características da espécie podem mostrar comportamentos diferentes dos indivíduos, em diferentes ambientes. E o conjunto, populações, comunidade e comportamento das espécies podem influenciar no ecossistema local.

Patrícia Pamplona Pereira Pinto

Graduanda em Ecologia / UFRN

Como citar este texto:

Pinto, PPP. 2011. Texto publicado no site do Grupo de Estudos de Ecologia e Fisiologia de Animais Aquáticos (www.geefaa.com).