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Linhas de Investigação

Aprendizagem e memória de peixe
Estudos comparativos sobre a plasticidade neural em vertebrados não-mamíferos são um importante modelo para estudos das bases evolutivas do desenvolvimento encefálico e de doenças degenerativas em humanos. Em peixes teleósteos, a neurogênese persiste na vida adulta, e pode ser modulada por fatores ambientais. Quais fatores e de que forma a neurogênese interfere nas habilidades cognitivas desses animais ainda é pouco compreendido. Desta forma, o objetivo desta linha é investigar aspectos ambientais que favorecem ou prejudicam a capacidade cognitiva destes animais. Esta area de estudo pretende elucidar possíveis alterações cognitivas provocadas por alteração ambientais e sua contribuição para a melhoria do bem estar, com vistas para a extrapolação dos resultados para aplicação em reabilitação humana. Além disso, os estudos poderão contribuir para a compreensão das relações filogenéticas do desenvolvimento encefálico de vertebrados.
Peixes alcoólatras?
Dentre as áreas de investigação que abordam o consumo de álcool, muitas se preocupam em determinar os mecanismos de ação deste produto no cérebro. Apesar de anos de pesquisa, ainda é pouco o conhecimento sobre os mecanismos pelos quais o álcool afeta as funções neurológicas e quais seriam as causas exatas das deficiências cognitivas relacionadas ao seu uso em longo prazo. Uma das principais funções superiores do sistema nervoso é a capacidade de reconhecer o ambiente, aprender sobre ele e lembrar-se de situações para poder melhor responder a elas. Congregando informações, o animal é capaz de se manifestar de maneiras distintas e livrar-se de possíveis ameaças. No entanto, essa resposta pode sofrer alterações de acordo com mudanças fisiológicas e neurais, por exemplo, após o uso de substâncias psicoativas, o que pode consistir também um sintoma de adição à substância. Devido à complexidade do sistema nervoso dos mamíferos e de suas respostas comportamentais variadas, outros modelos animais mais simples têm sido propostos para esse tipo de estudo, entre eles, o peixe paulistinha, Danio rerio. Nesta linha de investigação, buscamos relações entre o consumo doses variadas de álcool de forma crônica e aguda e respostas comportamentais, respostas de aprendizagem e capacidade de armazenamento de memória. Tais estudos visam compreender as mudanças comportamentais derivadas da ação do álcool em situações relevantes para a sobrevivência, de forma a poder propor ações relevantes para o consumo da droga e seus efeitos após a adição.
Sono em peixes
Todos sabem o quanto uma boa noite de sono pode ser reparadora. Sabemos também, por experiência, que o sono apresenta fases, vezes mais profundo, vezes mais leve, com ou sem sonhos. Apesar de não entendermos as funções exatas do sono, muitas pesquisas já mostraram que além de revigorante, o sono pode melhorar a capacidade de aprendizado e memória. É fácil constatar tais fatos quando passamos por período de pouco ou nenhum tempo dormindo, já que rapidamente nos sentimos fatigados, irritados e pouco produtivos. Estudos recentes parecem indicar que determinadas fases do sono podem interferir diretamente no desempenho dos animais em tarefas de aprendizagem e memória, podendo até mesmo alterar a produção de neurônios no cérebro. É neste sentido que esta linha de pesquisa se dedica ao estudo dos efeitos do sono e da privação dele sobre proliferação de neurônios em regiões cerebrais e observar os efeitos do sono sobre a aprendizagem e retenção de memória ao longo do tempo. O animal foco de nosso estudo é o peixe paulistinha, animal este que compartilha com os mamíferos inúmeros comportamentos e respostas fisiológicas, sendo assim um modelo bastante fidedigno para entendermos como funcionam os seres humanos. Nossos estudos pretendem elucidar possíveis alterações cognitivas provocadas pelo comportamento de sono e sua contribuição para a melhoria do bem estar, com vistas para a extrapolação dos resultados para aplicação em reabilitação humana. Além disso, os estudos podem contribuir para a compreensão das relações evolutivas entre os grupos de animais (de peixes até mamíferos).
Visão de cores e responsividade de peixes e crustáceos ao ambiente colorido
A visão de cores é uma importante característica para animais que habitam regiões iluminadas na natureza, pois podem discriminar detalhes do ambiente que lhes confere vantagens na alimentação, migração ou reprodução. De fato, tanto o ambiente fótico quanto diversos comportamentos dependentes da visão são forças seletivas modulando a capacidade visual dos animais. Os testes de preferência têm sido usados para indicar o ambiente que um animal escolhe numa situação específica. A discriminação ambiental torna-se útil para indicar a percepção do animal e o estímulo específico que torna um ambiente mais atraente do que outros quando oferecidas opções para a escolha do animal. Esses testes também foram utilizados em diversos estudos para indicar condições de bem estar para o animal. Portanto, testaremos a preferência por cores dos animais, e posteriormente, procuraremos relacionar as cores testadas com possíveis indicadores de bem estar animal, como ingestão de alimento, crescimento, aprendizado ou outro indicador de desempenho. A coloração ambiental é um fator que se altera no ambiente natural, dependendo da luminosidade que penetra a água, vento, presença de partículas orgânicas dissolvidas, entre outros, e pode influenciar a fisiologia e o comportamento de peixes e crustáceos.
Estresse, agressividade e suas consequências para o bem estar
Dependendo da condição imposta ao animal, ele pode apresentar respostas de crescimento, reprodução, ingestão de alimento (entre outras) melhorada ou piorada. Assim, esta linha de investigação busca estudar aspectos relevantes à biologia de peixes e crustáceos, de modo a entender suas respostas ao ambiente e poder proporcionar melhores condições de manejo e cultivo. Alguns dos aspectos estudados em nosso laboratório focam os efeitos do fotoperíodo, uso de anestésicos, dietas enriquecidas com própolis, enriquecimento ambiental, comunicação quimica e visual e privação de sono. Em todos os estudos, o objetivo é compreender como cada animal responde às variáveis ambientais e como tal variável interfere no bem estar.
Bioecologia e biologia pesqueira de crustáceos Decapodos marinhos
Os estudos de Biologia Pesqueira se preocupam em analisar biologicamente e ecologicamente às espécies marinhas e dulcícolas de importância econômica (camarões, caranguejos/siris, lagostas, lulas, polvos e peixes). Com o intuito de gerar conhecimento e uma base sólida para a correta utilização de pesca (manejo) e conservação destas espécies. São atributos desta área do conhecimento a dinâmica populacional e a distribuição espaço-temporal dos organismos de interesse. A dinâmica populacional pretende através de um conjunto de análises biológicas e estatísticas compreender todos os processos intrinsecos de uma determinada população. Incluindo-se a sua estruturação etária, sua proporção sexual, sua dinâmica reprodutiva, bem como a influencia de fatores abióticos (temperatura, salinidade...) para citarmos como exemplo. Já os estudos de distribuição buscam entender como as populações estão dispostas em uma escala temporal (meses, estações, anos...) e espacial (costões rochosos, profundidades médias, gradiente de inundações....). Os Crustáceos Decapoda compreendem todos os crustáceos que possuem 5 pares de patas (pereópodos). Podemos citar: Camarões, Lagostas, Caranguejos, Siris... Muitos representantes destes animais são bastante conhecidos da culinária regional de muitos estados costeiros brasileiros, porém o que pouco se conhece é que, eles possuem uma grande função no equilíbrio e manutenção do ecossistema. O Grupo de Estudos de Ecologia e Fisiologia de Animais Aquáticos (GEEFAA) realiza análises de biologia pesqueira com ênfase nos crustáceos Decapoda. Algumas espécies analisadas são: Caranguejos (Ucides cordatus, Goniopsis cruentata), Siris (Callinectes spp.) e Camarões (Litopenaeus spp.). Vinculado a esta linha de pesquisa estão alunos de Pós-graduação e graduação dos cursos de Biologia e Ecologia da Universidade federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Ecologia comportamental de crustáceos Decapodos marinhos
Os crustáceos Decapoda comprendem a maior porção da macrofauna bêntica marinha. Seus representantes são responsáveis por uma série de atributos ecológicos, como, controle de populações de outros macroinvertebrados marinhos e aceleração do processo de fluxo energético ecossistemico. O conceito ecológico de espécie-chave se ajusta muito bem na relativa importância deste grupo no ecossistema marinho. Especies-chave são espécie que desempenham um papel funcional crítico na manutenção da estrutura de comunidades, e cujo impacto sobre estes seria maior se fosse desproporcionalmete menos abundante. Sendo assim, o estudo das populações e comunidades de Crustáceos Decapoda são essenciais para o entendimento ecológico em diversas esferas (Ecossistêmica, comunitária, populacional e evolucionária). Estudos sobre a caracterização e distribuição das populações e comunidades naturais de organismos marinhos e como os fatores abióticos alteram essa distribuição ao longo do tempo, são de grande importância para a compreensão dos mecanismos de distribuição em complexos marinhos. Fornecendo uma base sólida para uso em trabalhos de manejo de pesca (recursos pesqueiros) e preservação de espécies (espécies selvagens). No GEEFAA nos preocupamos em avaliar os Decapoda ecologicamente sob vários subtópicos da Biologia e Ecologia: Ecologia comportamental, Ecologia populacional, Ecologia de Comunidades, Taxonomia, Morfologia e Modelagem.