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Autoria Paulo Victor do N. Araújo

Introdução Fauna Sustentabilidade Como citar

Manguezal

Os mangues correspondem a um tipo de vegetação arbóreo-arbustiva, que se desenvolve principalmente nos solos lamosos dos rios tropicais e subtropicais ao longo da zona de influência das marés, tanto para dentro do estuário, como para as laterais dos rios em zonas sujeitas a inundações ao longo dos estuários.

Os manguezais são caracterizados por uma baixa diversidade de espécies arbóreas resistentes às condições halófilas das águas estuarinas ou regiões costeiras com influências de águas marinhas. É um ambiente propício à produção de matéria orgânica, o que garante alimento e proteção natural para a reprodução de diversas espécies marinhas e estuarinas. São responsáveis por uma função significativa na produção pesqueira na zona costeira, sendo fundamental para o desenvolvimento de atividades sócio-econômicas associadas à pesca artesanal e à exploração sustentável dos recursos renováveis costeiros.

Os manguezais produzem mais de 95% do alimento que o homem captura do mar. As florestas de manguezais do Brasil cobrem aproximadamente 1,38 milhões de hectares, o que corresponde a cerca de 50% da área total de mangues das Américas e representa a segunda maior área de manguezal do mundo. As regiões do sul e sudeste da Ásia estão em primeiro lugar com 75,173 Km².

A fauna dos manguezais é derivada dos ambientes marinhos e terrestres adjacentes. A distribuição é composta principalmente de elementos de origem terrestre como os insetos, aves e mamíferos que ocorrem nas copas das árvores acima da linha d'água e em áreas que não sofrem influências das marés. De maneira geral, estas espécies não apresentam adaptações especificas a este ecossistema, porém, muitas vezes, usufruem-no para alimentação e às vezes para reprodução. Em troca, essa fauna contribui com o insumo de nutrientes através de suas fezes e com a polinização. A riqueza biológica dos ecossistemas costeiros faz com as áreas de manguezais sejam os grandes "berçários" naturais, tanto para as espécies características desses ambientes, como para peixes e outros animais que migram para as áreas costeiras durante, pelo menos, uma fase do ciclo de sua vida. Nas áreas que sofrem com a ação das marés se distribuem elementos da fauna tolerante à salinidade, como moluscos, crustáceos e peixes. Os caranguejos como o Chama-Maré, Guaiamum, Uçá e Aratú, entre outros, vivem nos substratos protegidos pelas raízes dos mangues, alimentando-se de organismos presentes nos sedimentos e folhas. Em períodos de maré alta, os caranguejos se enterram em tocas, o que permite uma circulação de água melhorando as condições anóxidas dos sedimentos lamosos estuarinos.

O manguezal foi sempre considerado um ambiente pouco atrativo e menosprezado, embora sua importância econômica e social seja muito grande. No passado, estas manifestações de aversão eram justificadas, pois a presença do manguezal estava intimamente associada à febre amarela e à malária.

Embora estas enfermidades já tenham sido controladas, a atitude negativa em relação a este ecossistema perdura em expressões populares em que a palavra manguezal, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito. A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados são os grandes inimigos do manguezal.

O ecossistema manguezal encontra-se submetido a diversas pressões ambientais no que se refere à utilização de áreas adjacentes aos manguezais, como a expansão mobiliária e a carcinicultura, que utiliza as águas estuarinas como corpo receptor de seus efluentes. A discussão dessas importantes questões ambientais atuais, não tem, na maioria das vezes, embasamento científico suficiente para caracterizar seus efeitos sobre as áreas de mangues, sobre o seu aumento ou diminuição e, principalmente, em relação aos fatores responsáveis por essas mudanças.

No Brasil os mangues são protegidos por legislação federal, devido à importância que representam para o ambiente marinho. A vegetação do tipo mangue é reconhecida pela legislação ambiental nacional como Área de Preservação Permanente pelo Art. 2º da lei 4771/65, que a considera como florestas e demais formas de vegetação natural. Ou seja, fica proibido qualquer tipo de desmatamento e/ou ocupação em área de manguezal.

Sendo assim, nos resta somente gerenciar e manejar de forma sustentável, o que a natureza nos proporcionou, mantendo sempre a interação sustentável dos eixos social, econômico e ambiental. Portanto, o reconhecimento da estrutura funcional dos manguezais é de extrema importância para o entendimento da sua influência sobre a produtividade das águas estuarinas e costeiras, além de contribuir com ações de planejamento, manejo e preservação do meio ambiente.

Paulo Victor do N. Araújo

Graduado em Eng. de Pesca / UFERSA

Email: [email protected]

Como citar este texto:

Araújo, PVN. 2011. Texto publicado no site do Grupo de Estudos de Ecologia e Fisiologia de Animais Aquáticos (www.geefaa.com).