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Peixes

Os peixes são vertebrados com o corpo fusiforme e membros em forma de nadadeiras que habitam o ambiente aquático. Outras características comuns dos peixes são a presença de escamas cobrindo o corpo, brânquias para a respiração e serem ectotérmicos.

Apesar de a maioria dos peixes apresentarem as características acima descritas, muitos mostram variações bastante interessantes, o que permite que agruparmos os peixes em grupos. Os peixes Agnatha são amandibulados, como as lampreias. Os Chondrichthyes incluem os elasmobrânquios (tubarões e arraias) e as quimeras. E os Osteichthyes incluem os Actinopterygii (teleósteos) e os Sarcopterygii (pulmonados e Celacantos).

Os peixes ainda podem ser classificados quanto a sua distribuição no ambiente aquático. Animais demersais são aqueles que passam a maior parte da vida associados ao substrato, como as moréias, os linguados e as garoupas. Os peixes pelágicos habitam o mar aberto, ocupam a coluna d'água e geralmente vivem em cardumes, como as sardinhas e anchovas, mas também são encontrados solitários como os tubarões. São considerados batipelágicos aqueles peixes que nadam em grandes profundidades, como o peixe-víbora. Mesopelágicos são animais ocupam a região intermediaria da coluna d'água e podem fazer migrações verticais diárias, enquanto os epipelágicos ficam restritos a áreas mais superficiais, sendo mais comum para as fases iniciais do desenvolvimento dos peixes.

Quanto aos hábitos alimentares, os peixes têm grande variabilidade de forma de ingestão e preferência de alimento. Peixes predadores são na sua maioria pelágicos e alimentam-se principalmente de outros peixes e de invertebrados cefalópodes e crustáceos. Os predadores são, geralmente, animais ativos que atingem grandes tamanhos.

Muitos peixes pelágicos, porém de tamanho menor, incluem-se entre os planctófagos, ou seja, aqueles que se alimentam de plâncton. Esses peixes são filtradores e seus arcos branquiais aumentados auxiliam na função filtradora.

Outra categoria inclui os peixes herbívoros, que ingerem plantas e algas apenas. Já aqueles com dieta variada de produtos de origem vegetal e animal são considerados peixes onívoros, geralmente mais generalistas do que o restante. Ainda encontramos entre os peixes, os detritívoros, geralmente ocupando áreas profundas associadas ao substrato, onde podem adquirir restos de plantas e animais.

Muitas espécies buscam alimento em áreas distantes, efetuando verdadeiras migrações em busca de quantidade e qualidade alimentar. Alguns atuns, por exemplo, migram por grandes distancias de norte a sul do oceano em busca de locais ricos em alimento. Outros peixes podem apresentar hábitos migratórios diários na coluna de água, geralmente associados a temperatura e luminosidade, ou fazem migrações anuais, plurianuais ou mesmo uma migração única em busca de objetivos reprodutivos, como é o caso do salmão.

Os peixes que migram podem ser classificados quanto ao local para onde se deslocam: peixes oceanódromos fazem migrações sempre em água marinha, peixes potamódromos migram sempre em água doce e peixes diádromos migram entre a água doce e salgada.

Os peixes diádromos se subdividem em 3 categorias: aqueles que vivem na água salgada e migram para água doce a fim de se reproduzir, como o salmão, são chamados anádromos. Ao contrario, aqueles que vivem em água doce e migram para a água salgada na época reprodutiva, como as enguias, são considerados catádromos. E aqueles que migram entre água doce e salgada, sem fins reprodutivos, mas de acordo com características ontogenéticas, são os anfídromos.

Peixes são animais dióicos que se utilizam de reprodução sexuada para gerar descendentes. A grande maioria é ovípara, ou seja, a fertilização gera ovos que podem ficar livres flutuando e assim se dispersam pela água para longas distancias ou podem afundar e completam seu desenvolvimento em meio ao substrato. O numero de ovos geralmente esta relacionado à chance de sobrevivência do mesmo. No caso de ovos que se dispersam, o numero pode chegar aos milhões. A fertilização dos ovos ocorre pela união de óvulos e espermatozóides na água. Na época reprodutiva, as espécies que vivem em cardumes lançam grandes quantidades de gametas ao mesmo tempo na água e grande parte dos gametas que se encontam dará origem a novos indivíduos.

No entanto, entre os peixes, encontramos espécies que cuidam de seus ovos, garantindo assim a sobrevivência da prole. Entre os ciclídeos, como a tilápia, o macho constrói ninhos no substrato e corteja a fêmea em busca de chances reprodutivas. Dentre esses animais, muitas espécies possuem cores características da época reprodutiva, que sinalizam para o casal a possibilidade de procriação. Quando o macho atrai uma fêmea para seu ninho, ocorre uma seria de comportamentos ritualizados que culminam com a ejaculação e liberação de óvulos. Em seguida, a fêmea incuba os ovos na boca durante o período mais crítico do desenvolvimento (em algumas espécies o macho pode incubar ovos) e somente após a eclosão e livre natação dos filhotes, ela libera a prole para a vida livre.

Outro exemplo curioso é o cavalo marinho. Nas espécies de cavalo marinho, o macho incuba os ovos fecundados em uma bolsa abdominal até o desenvolvimento mais completo dos filhotes, mantendo-os protegidos contra predadores.

Podemos encontrar ainda entre os peixes, espécies vivíparas e ovovivíparas, aquelas na qual o embrião completa o desenvolvimento dentro do útero. Nestas espécies há casos de cópula com fertilização interna.

A grande diversidade de espécies de peixes possibilita enorme variedade de aspectos fisiológicos e comportamentais, o que abre um leque inimaginável de facetas a serem estudadas e, com elementos tão interessantes que o assunto torna-se incansável!

Ana Carolina Luchiari

Depto de Fisiologia – Centro de Biociências – UFRN

Como citar este texto:

Luchiari, AC. 2011. Texto publicado no site do Grupo de Estudos de Ecologia e Fisiologia de Animais Aquáticos (www.geefaa.com).